Alfabetização bilíngue: como funciona?

Especialista explica como deve ser inserida a alfabetização bilíngue e de que maneira os pais podem contribuir para o processo

Dominar o inglês hoje em dia é pré-requisito indispensável para que o indivíduo se saia bem nas mais diversas situações da vida cotidiana. Seja no trabalho, durante uma viagem ou assistindo a um filme, o fato é que quem entende e fala bem o idioma se destaca em relação aos demais. Tal constatação tem feito os pais se preocuparem cada vez mais cedo em oferecer aos filhos a oportunidade de aprendizado da língua inglesa. E não estamos falando apenas de matricular os filhos o quanto antes num curso especializado. Muitos pais estão optando pela alfabetização bilíngue.

O diretor da Positivo English Solution School (PES School) e especialista no Ensino de Línguas Estrangeiras Modernas, Luiz Fernando Schibelbain, explica como funciona e quais as vantagens da alfabetização bilíngue:

  1. Qual a idade adequada para iniciar a alfabetização bilíngue?

De modo geral, no Brasil, quando a criança está inserida em uma educação bilíngue, o processo de alfabetização inicia-se na língua portuguesa, por volta dos 5 anos de idade, seguido de um processo natural de aprendizado de uma língua adicional. Assim, a alfabetização na primeira língua permite que a criança levante hipóteses sobre a escrita a partir do seu maior repertório linguístico e de seu entorno social para, então, a escola iniciar com a criança a escrita em outro idioma.

  1. Quais as diferenças no processo de alfabetização em um segundo idioma?

Língua é comunicação e toda a exposição que uma criança deve receber em uma língua adicional deve começar pela oralidade: fala e compreensão. Assim, constroem-se canais de trocas de informação sobre o mundo da criança de forma natural e significativa. A partir da fala, a escrita é apresentada, enfatizando os sons das letras e as possibilidades, sempre com muita ludicidade e respeito ao ritmo de cada indivíduo, motivando os alunos para a leitura e a escrita simples no segundo idioma e acompanhando a sua evolução com autonomia para descobrir e criar, muitas vezes estabelecendo relações entre as duas línguas e o que está sendo proposto.

No caso de línguas com alfabetos similares, como acontece com o português e o inglês, a criança notará que as letras são as mesmas, mas que há diferenças nos sons que elas representam e irá perceber que quando está imersa no português fará um tipo de registro e quando for a hora do inglês, outro. É recomendável introduzir a segunda língua com naturalidade e sem pressão, observando o interesse da criança, respeitando o tempo de aprendizado dela e seu nível de desenvolvimento no idioma, sem tolher a sua curiosidade.

  1. Como os pais podem ajudar as crianças nesse processo?

Tenho notado que quando as crianças, voluntariamente, agem como professores em casa, ensinando aos pais o que estão aprendendo na escola, e estes se mostram genuinamente interessados e abertos a essa troca, o processo todo se torna mais produtivo, natural e livre de barreiras. Permitir que a criança se expresse livremente, mesclando as línguas, faz parte do aprendizado inicial. Aqui, o diálogo entre pais e escola também é saudável para que o processo da alfabetização bilíngue ocorra de forma tranquila e envolvente. Se as famílias dominam oralmente a língua adicional que a criança está aprendendo, podem usá-la em algumas rotinas domésticas também, porém lembrando que a língua materna tem muita relevância no universo infantil.

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