Alfabetizar não é ensinar a ler e escrever

Durante décadas, alfabetizar foi considerado um processo mecânico, uma atividade de treinamento artificial que considerava essa etapa apenas como aquisição de habilidade motora. Os alunos acabavam alfabetizados todos ao mesmo tempo, com professores e pais acreditando que apenas por saber ler a criança já entendia o sentido das frases, o que muitas vezes não correspondia à realidade, influenciando negativamente na aprendizagem futura.

Muito mais que grafia

Segundo a perspectiva interacionista, o processo de alfabetizar é muito mais que aprender a grafia das palavras. São várias etapas, desde a Educação Infantil, quando a criança pega no lápis para fazer rabiscos, passando pela fase em que começa a diferenciar desenhos, números e letras, até chegar ao nível alfabético. O interacionismo também leva em conta que cada aluno traz consigo experiências diferentes. Dessa forma, as crianças aprendem de maneiras diferentes e precisam que a escola respeite o tempo de cada uma, garantindo assim um aprendizado individual e efetivo.

Fazendo uso do tempo necessário e levando em conta suas próprias experiências, a criança desenvolve a capacidade de utilizar a língua e a escrita, tornando-se mais competente para compreender e se expressar cada vez melhor. A alfabetização segundo o interacionismo permite à criança levantar hipóteses que são pertinentes à realidade dela. É por meio da experimentação e do erro que ela atinge o correto, exercitando o raciocínio lógico, a criatividade e a imaginação.

E, assim, tornam-se visíveis as vantagens de se alfabetizar uma criança pelo método interacionista. Nas séries seguintes, ela já se aventura por conta própria. Está capacitada para colocar em palavras seus sentimentos e pontos de vista, e os faz em textos gramaticalmente mais corretos e com melhor argumentação. E não para mais, adquirindo, assim, progressivamente um domínio muito melhor da linguagem escrita, o que, certamente, trará grandes benefícios para a vida escolar e profissional.

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