Antecipar o processo de alfabetização pode trazer reflexos negativos às crianças

A alfabetização é resultado de uma caminhada que começa na Educação Infantil com a brincadeira

Assistir aos filhos ganharem autonomia enche pais e mães de satisfação, mas também gera ansiedade e preocupação. Engatinhar, andar ou falar são habilidades que as crianças adquirem cada uma a seu tempo, e, por maior que seja a expectativa, cabe às famílias oferecer tranquilidade, estímulo e carinho, mas aguardar o ritmo natural da criança. Com o letramento é a mesma coisa. A alfabetização é uma das autonomias mais desejadas e esperadas pelos pais, mas é preciso entender que antecipar ou forçar esse processo pode trazer reflexos negativos para o futuro da criança.

Aprender a ler e a escrever é resultado de uma caminhada na qual brincadeiras, desenhos, jogos e contações de histórias são essenciais. Essas formas de interação são combustíveis para a curiosidade, a criatividade, a espontaneidade e a coordenação motora, e devem anteceder o ensino da leitura e escrita, na Educação Infantil, deixando esse objetivo para o 1º ano do Ensino Fundamental.

Quando a alfabetização é imposta de forma precoce, há um cenário propício para a formação de estudantes robotizados e desinteressados: alunos que leem, mas não compreendem, que leem superficialmente sem capacidade de concentração. Tais características, inclusive, estão refletidas no último Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), realizado em 2011 pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa, que mostra que somente um em cada quatro brasileiros tem domínio pleno de habilidades básicas de leitura, escrita e matemática.

A deficiência na interpretação de textos prejudica não apenas a habilidade de elaborar um texto coeso e coerente, mas, como a própria pesquisa revela, o desempenho em outras disciplinas, como a matemática. Ler com atenção e entender o enunciado, por exemplo, é fundamental para conseguir resolver um problema.

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