Aprendizagem social e emocional

 O que é mais importante: investir no desempenho acadêmico ou na aprendizagem social e emocional dos nossos filhos? 

Qual pai ou mãe nunca inflou o peito e se encheu de orgulho ao ver o filho desenvolver habilidades como ler e escrever, ou, então, ver a criança se destacar com notas altas em Matemática, Língua Portuguesa ou outra disciplina? O desempenho escolar dos filhos é, muitas vezes, motivo de orgulho, mas também de ansiedade. Nos preocupamos e desejamos tanto vê-los se destacando que focamos demais no aprendizado acadêmico e deixarmos de lado outro desenvolvimento igualmente – ou até mais – importante: a aprendizagem social e emocional.

E o que devemos entender por aprendizagem social e emocional? Estudiosos do tema a definem como o processo pelo qual os indivíduos reconhecem e administram emoções, conseguindo estabelecer relações saudáveis, comportar-se de forma ética e responsável, evitando, dessa forma, atitudes negativas. Sabemos que é responsabilidade e dever dos pais guiar as crianças por esse caminho, mas a escola também tem papel fundamental nesse processo.

Habilidades sociais e emocionais são ensinadas e aplicadas em diversas situações, e a escola é um ambiente propício para colocar isso em prática. Na Educação Infantil, jogos e brincadeiras são atividades essenciais para desenvolver tais habilidades. No Ensino Fundamental ou Médio, no lugar de uma aula em sala, de Matemática ou Física, por exemplo, levar os estudantes para um laboratório ou oficina e desafiá-los a resolver ou consertar algo pode ser uma ótima forma de propor o exercício dos princípios da disciplina e, ainda, a experiência do trabalho colaborativo. Terem que tomar decisões de forma compartilhada é uma excelente maneira de os alunos exercitarem o senso de comunidade. Incentivar uma criança a ajudar a outra produz resultados poderosos para reforçar comportamentos como a gentileza e a empatia.

O que, de fato, queremos para os nossos filhos?

Sabemos que esse modelo de aprendizagem não corresponde ao padrão e nem ao que se exige nas avaliações atuais – menos ainda quando se trata de vestibular. Mas é preciso pensar: o que, de fato, queremos para os nossos filhos? Que eles sejam apenas preenchidos com um monte de fatos e dados ou que sejam capazes de resolver problemas, interagir com o meio, pensar de forma criativa, acreditar no próprio sucesso, definir metas positivas e se organizar para alcançá-las?

Uma pesquisa americana realizada em 2008, pela Casel (The Collaborative for Academic, Social, and Emotional Learning), envolvendo mais de 320 mil alunos entre 5 e 13 anos de idade, apontou que estudantes expostos a modelos de ensino que prezam o desenvolvimento social e emocional apresentaram melhora nos seguintes aspectos: atitudes em relação a si próprios, à escola e aos outros, conduta e comportamento positivos, controle do estresse e da angústia, além da melhora no desempenho acadêmico, com sensível melhora nos resultados dos testes e nas notas escolares. O que mostra que o bom desempenho acadêmico não existe sem a maturidade social e emocional.

Para que nossos jovens tenham bom desempenho acadêmico e estejam preparados para os desafios da vida e do mercado de trabalho, é preciso enxergar que as diferentes partes do ser humano estão interligadas: necessidades emocionais, sociais e físicas.

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