Como ensino meu filho a ter inteligência emocional?

A educação emocional é fundamental para o desenvolvimento do ser humano e deve ser praticada sempre. E a família pode ser um dos melhores exemplos disso.

Faça uma reflexão sobre sua trajetória de vida até o momento presente, passando por momentos importantes, como o primeiro dia de aula, os trabalhos em grupo, a preparação para o vestibular, as entrevistas de emprego, os desafios da profissão. Em todos esses momentos, você utilizou seu conhecimento e raciocínio para conseguir ter bons resultados, certo?

Essas características fazem parte da inteligência intelectual ou quociente intelectual, o já conhecido QI. Porém, nessas situações, você também teve que controlar emoções como raiva e tristeza, desenvolveu flexibilidade para lidar com as frustrações e agiu com empatia para tomar decisões. Essas são capacidades referentes a outro tipo de inteligência: a emocional. Assim como o quociente intelectual, o quociente emocional também deve ser estimulado, exercitado. E quanto antes isso for feito, melhor.

Entender sobre inteligência emocional é compreender que todos têm emoções e é preciso saber administrá-las.

Isso é totalmente diferente de reprimir os sentimentos e deixar que eles nunca apareçam. Comportamentos como esse podem piorar a situação a longo prazo e até mesmo fazer mal à saúde, gerando estresse, ansiedade, problemas cardíacos e de estômago, por exemplo.

Educação emocional: uma referência para a vida

Crianças e adolescente são craques em modelar comportamentos, ou seja, observar outra pessoa fazer algo e repetir aquela ação, buscando atingir o mesmo resultado. É normal que eles façam isso com pessoas pelas quais sentem uma profunda admiração, um modelo de vida que querem adotar. Essa escolha é inconsciente e feita com base nas características que ela consegue observar a partir do seu ponto de vista, enxergando como criança.

Se ela tiver mais informações sobre o universo das emoções e, principalmente, que é possível administrá-las, ela também passará a buscar modelos que possam lhe ajudar a fazer isso. Por isso, há o convite para que o exercício da inteligência emocional aconteça em família, com todos aprendendo e se desenvolvendo juntos!

O que pode ser ensinado?

Juntos, pais, mães e filhos podem fortalecer práticas que desenvolvem a inteligência emocional. Um dos principais teóricos sobre o tema, Daniel Goleman, explica que ela é, na verdade, a junção de cinco habilidades.

Autoconsciência: entender o que se passa dentro de si mesmo, quais emoções estão surgindo. Aqui, o importante é deixar que a emoção venha, sem reprimi-la, e perceber qual é a emoção que está ali. Normalmente, é uma das seis emoções básicas que nos acompanha logo depois do nascimento: alegria, tristeza, raiva, nojo, medo e surpresa.

Saber lidar com as emoções: entender o que fazer para que uma emoção não tome conta do comportamento, como retomar o equilíbrio emocional. Uma boa dica para isso é entender a intenção positiva da emoção. Por que ela apareceu? O que ela deseja satisfazer? Do que ela quer te proteger?

Automotivação: saber o que se quer e o que deve ser feito para chegar até o seu objetivo. Para isso, muitas vezes, é necessário tirar o foco da emoção predominante no momento, ou então encontrar alguma outra que ajude a neutralizá-la. Também é possível usar recursos como a paciência, o amor próprio e o respeito para conseguir driblar esses sentimentos.

Empatia: entender o que a outra pessoa está se sentindo. Respeitar a história de vida, o momento dela e o que ela está vivendo. Empatia é um exercício para ser aplicado não apenas com as pessoas de fora, mas principalmente com quem mora na sua casa. Acostume-se a pensar nos motivos pelos quais seu filho(a) pensa e age de determinada maneira. Quais emoções está sentindo, qual sua intenção positiva. Ele(a) aprenderá a fazer o mesmo a partir do seu exemplo.

Capacidade de relacionamento: é combinar todas as habilidades anteriores e usá-las a seu favor na hora de se comunicar, expressar ideias, resolver dilemas e tomar decisões. Isso pode começar em casa, durante uma negociação entre irmãos para decidir, por exemplo, por quanto tempo cada um deles ficará no videogame.

Ter inteligência emocional é conseguir equilibrar essas cinco habilidades. É mesmo como fazer malabarismo: no começo o esforço e a concentração são maiores, mas com o tempo algumas partes do processo começam a se tornar automáticas. Quando vocês menos esperarem, já estarão praticando a inteligência emocional com facilidade.

E aí, preparados para um desafio em família? Dedique-se. Os resultados valerão para a vida inteira!