Dicas para incluir a lição de casa na rotina das crianças

Com tantas atribuições, até as crianças podem se sentir estafadas e sem tempo para questões que deveriam ser incorporadas na rotina, entre elas, como fazer a lição de casa

Não importa qual o período em que a criança ou adolescente está na escola, no contraturno as obrigações se sobrepõem: balé, judô, inglês, street, natação, aquele curso de dublagem que ele quis muito fazer e os pais acham importante para formação. São apenas alguns exemplos de que a rotina dos alunos está tão atribulada quanto qualquer profissional do mundo corporativo. Mas será que essa realidade não prejudica a lição de casa?

Para a doutora em Educação, Mary Rangel, professora da Universidade Federal Fluminense e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, não há dúvidas de que existe um excesso de atividades fora da escola. Resultado de uma mudança de comportamento social, em que pai e mãe trabalham fora e precisam preencher o tempo da criança. Essa dinâmica precisa de muito planejamento para que o acúmulo de atividades não prejudique o aprendizado.

“Isso só é possível quando a família decide em conjunto que o tempo reservado para a lição de casa é tão importante quanto as atividades extracurriculares”, reforça Mary. Ou seja, assim como para os esportes e línguas estrangeiras, é preciso reservar tempo para absorver e processar o que foi aprendido na escola, e esse é um dos principais objetivos da lição feita em casa.

Estímulo e não cobrança

A tarefa de casa deve ser um estímulo, e não uma cobrança. Para ajudar seu filho a estudar em casa, reserve um tempo e um local adequado para que isso vire um hábito. Assim como o horário da natação, a hora da lição de casa é importante e deve ser cumprida como uma rotina periódica.

“Estimule seu filho a estudar de forma independente e valorize sempre o que foi feito. Reserve um local para os estudos dentro de casa, sem distrações”, ensina a doutora em Educação. Para ela, quanto mais próxima da aula a criança fizer a lição, melhor vai ser a assimilação do conteúdo. “Não adianta deixar para fazer a lição muitos dias depois que o conteúdo foi passado”, diz.

Como estimular meu filho?

Em todas as idades, os alunos devem ser estimulados a estudar fora da escola. Isso ajuda a fixar o conhecimento e cria uma rotina importante para a vida acadêmica. Para Mary Rangel, o estímulo é o mesmo em todas as idades, mas é possível separar por faixa etária, desde que essa rotina esteja sempre incorporada aos hábitos e às necessidades do aluno. Veja como:

Dos 6 aos 10 anos

  • Reserve um horário específico para fazer a lição de casa.
  • O local deve ser tranquilo e organizado.
  • Valorize as iniciativas dele. Se a lição foi completada, elogie.
  • Lembre-se de que não é preciso fazer “certo”. Nessa idade, é preciso que a criança crie o hábito da lição de casa e da independência.
  • A lição de casa deve ser feita sempre pela criança. Os pais não devem interferir, a não ser que a tarefa exija.

Dos 11 aos 14 anos

  • Nessa fase, as tarefas são fundamentais para assimilar o conteúdo passado na escola e desenvolver uma rotina de estudos.
  • Planeje e reserve um horário diário para a lição de casa.
  • Converse com seu filho sobre a importância da rotina no estudo de casa e estimule esse hábito reservando também um local adequado e organizado.
  • Valorize sempre a iniciativa e a independência para estudar em casa.

Dos 15 aos 17 anos

  • Mesmo que as lições de casa não sejam mais tão comuns, o jovem deve reservar pelo menos uma hora diária para estudar em casa.
  • Não se trata mais apenas de “lição de casa”, mas sim de rever o conteúdo passado em sala de aula para uma melhor compreensão.
  • No caso de dúvidas, é possível retornar para escola e conversar com os professores. A troca é fundamental no processo educativo.
  • O tempo deve ser aproveitado também para ler conteúdos extras relacionados às disciplinas. Se o aluno sempre teve o hábito de estudar em casa, esse será um período para fixar o conteúdo e ir além. O mundo é repleto de possibilidades e conhecimento. Ampliar horizontes é fundamental no processo de aprendizagem.

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