Gibi na sala de aula, pode?

O que o Batman, os X-Men e a Mulher-Maravilha têm em comum? Além de encantar as crianças (e adultos) pelo mundo todo, esses personagens dos quadrinhos ganham destaque cada vez maior nas salas de aula. Passaram de mero entretenimento a grandes aliados em uma missão para lá de especial: o interesse pela leitura.

Há alguns anos, quando você fazia coleção dos gibis da Turma da Mônica, utilizar as histórias em quadrinhos durante uma aula de Português, por exemplo, não era sequer cogitado. Quem tivesse um exemplar à mão provavelmente teria que escondê-lo debaixo da carteira para não levar uma bronca do professor. Mas acredite e fique tranquilo: a educação mudou e os gibis passaram a ser vistos como instrumento de incentivo à leitura, “uma ponte” entre as crianças e a literatura.

O arquiteto, colecionador de HQs e idealizador da Gibiteca de Curitiba, Key Imaguire Junior, defende que a magia despertada pelas histórias em quadrinhos é um dos motivadores da leitura. “Conheço muitos leitores de gibis que são, também, devoradores de livros. Hoje, os autores dessas histórias estão conscientes de que elas são ferramentas importantes na educação”, argumenta.

Não à toa, obras consagradas da Literatura brasileira e estrangeira ganharam suas versões em quadrinhos, como o clássico “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, e “Volta ao mundo em 80 dias”, de Júlio Verne. Aliás, o prestígio das HQs é tanto que vai além das escolas. Para se ter uma ideia, este ano, a Câmara Brasileira do Livro (CBL), realizadora do Prêmio Jabuti – o mais tradicional e prestigiado da literatura brasileira –, anunciou uma nova categoria dedicada exclusivamente a elas, as histórias em quadrinhos.

Por abordarem temas variados, desde ficção científica e terror até romances e temas históricos, esse tipo de publicação possibilita a professores de diferentes disciplinas criarem estratégias para utilizá-los da melhor forma. Uma das coleções presentes em sala de aula é A Turma do Pererê, assinada por um dos principais cartunistas e escritores brasileiros, o Ziraldo, que aborda temas como saúde, cultura, meio ambiente, solidariedade, entre outros.

Então, o final desta história você já sabe: gibi na sala de aula pode, sim!

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