Meu filho quer fazer intercâmbio. E agora?

O contato dos alunos com a língua inglesa, para um bom aproveitamento dos programas de intercâmbio, deve ser desde cedo

Não é nada fácil se acostumar com a ideia. Só de pensar em ver o quarto dos filhos arrumadinho e silencioso dá a sensação de ninho vazio. É assim quando o assunto fazer intercâmbio vira tema nas conversas de família.

Será que meu filho é maduro o suficiente? Vai fazer novos amigos? Andrea Tissenbaum sabe bem como é esse sentimento. Psicóloga, trabalha com assessoria em educação e carreiras internacionais, orientando jovens que querem estudar fora do país. Ela garante que os pais vão se sentir mais seguros quando conhecerem os detalhes da viagem. Veja as recomendações da profissional:

O que os pais precisam saber antes de um filho fazer intercâmbio?

Tudo. O ideal é que pesquisem sobre o lugar onde o filho vai estudar, onde ele vai morar, como será sua rotina, como poderão localizá-lo em caso de emergência, o que ele vai estudar, etc.

A idade certa

Essa é uma avaliação muito pessoal que cabe a cada família. Há casos de estudantes de dez anos de idade que já passam períodos de férias em acampamentos de verão. Mas, na média, a maioria dos intercâmbios acontece durante o Ensino Médio. Andrea Tissenbaum alerta, porém, que é preciso avaliar se o filho vai dar conta de ficar longe por tanto tempo ou se vai se sentir inseguro e com vontade de voltar antes do previsto. A sugestão é fazer pequenas experiências de adaptação, como passar uma semana na casa dos avós, viajar com a família de amigos.

Para onde ir

Tudo vai depender do objetivo de fazer intercâmbio e da idade do estudante. Em cidades menores, por exemplo, a adaptação dos mais novos pode ser mais fácil. Outras questões devem ser levadas em conta, como o clima da região e os costumes da família que vai recebê-lo.

Como matar a saudade

A tecnologia dá uma força e tanto, mas é importante ter em mente que o filho provavelmente terá o dia repleto de atividades. A dica é combinar a frequência do contato.

E se ele não se adaptar?

Primeiro, é preciso entender o motivo: é algo que pode ser resolvido a distância ou uma situação mais séria? Nesse caso, a empresa que organizou o intercâmbio deve ser acionada para auxiliar a família. Por isso, é muito importante questionar antes como funciona uma possível situação de retorno antecipado.

Que retorno esperar

Para cada idade, há ganhos diferentes, mas, de forma geral, dá para destacar a fluência no idioma e a convivência com diferentes culturas. Outros ganhos são a autonomia, a maturidade e a responsabilidade de acordar no horário certo, cuidar das próprias roupas e cumprir combinados, por exemplo.

Língua Inglesa

Entre os estudantes brasileiros, os destinos mais procurados para fazer intercâmbio são de língua inglesa: Canadá, Estados Unidos, Inglaterra, Irlanda, Austrália e Nova Zelândia. Por isso, o contato com o idioma é recomendado desde cedo.

Segundo Fernanda Rolkoski, coordenadora pedagógica do Positivo English Solution (PES), as crianças são apresentadas à língua estrangeira já no Maternal: “Eles já têm algumas aulinhas, que chamamos de sensibilização”. As aulas regulares começam no Ensino Fundamental – Anos Iniciais e vão até o último ano do Fundamental – Anos Finais.

Para dar a atenção necessária às individualidades de cada aluno, do 3º ao 5º ano, as turmas são divididas em grupos de 15 alunos. “Com dois professores, em salas separadas, é possível trabalhar de forma bem mais próxima e eficaz”, explica. As aulas ocorrem duas vezes por semana, em encontros de uma hora e meia.

Ao chegar ao 6º ano, os estudantes são separados em turmas determinadas pelo nível de domínio da língua. “Aí, a gente tem uma estrutura física específica para atendê-los: uma escola de inglês dentro da escola”, esclarece.

O quanto é necessário saber?

De acordo com Fernanda, é no Ensino Fundamental – Anos Finais, principalmente no 8º e 9º anos, que os alunos se mostram mais seguros a respeito do idioma e para fazer intercâmbio. Segundo ela, alunos do 3º nível de inglês já têm bagagem, vocabulário e autonomia para manter uma boa comunicação. Mesmo com nível intermediário, muitos estudantes conseguem se virar: “Eles têm, até pela idade, maior facilidade para aprender e se adaptar do que um adulto”, finaliza.

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