O papel dos pais na escolha profissional dos filhos: como ajudar sem interferir?

O professor e psicólogo Ivo Carraro dá conselhos aos pais para ajudarem na escolha profissional dos filhos

“O que o meu filho vai ser quando crescer?”. Essa é uma preocupação comum entre pais desde os primeiros anos de vida dos filhos. E não há nada de errado em desejar uma carreira bem-sucedida e estável para quem mais amamos. Porém, a escolha profissional dos filhos não é tarefa da família.

“É evidente que os pais desejam o melhor para os seus filhos. Só que não devem decidir por eles. O caminho e a decisão são deles”, alerta o professor e psicólogo Ivo Carraro, autor do projeto Qual é o seu caminho?. Para ele, é necessário que os pais respeitem as decisões dos filhos. “Cada um tem suas próprias experiências de vida”, lembra.

Consequências

Seja por conta de interferências familiares, seja pela idade, pelo mercado de trabalho ou pela variedade de profissões, grande parte dos jovens que prestam vestibular no Brasil, segundo Ivo, ainda tem dúvidas quanto à carreira a seguir. Diante disso, o abandono da faculdade já nos primeiros anos é comum. “Acrescentam-se, ainda, os efeitos decorrentes dos dramas familiares, desejos não realizados, investimentos perdidos e frustrações pessoais, que marcam a personalidade do jovem – ainda em formação”, ressalta o psicólogo.

Mas, então, como ajudar?

Ivo explica que a escolha profissional dos filhos é um processo, e que não há receitas prontas: “O que existe é a profissão certa para cada um, o que vai, certamente, acarretar o sucesso profissional”.

Se, porventura, os filhos seguirem os mesmos passos dos pais, que seja por vontade própria e que tenham a felicidade de ter, nos pais, o exemplo de realização pessoal e profissional. Que possam deixar marcas no mundo para, no futuro, contemplarem seu trabalho com orgulho, com brilho nos olhos”, finaliza.

Abaixo, listamos quatro recomendações do especialista para os pais ajudarem na escolha profissional dos filhos:

  1. Educar para a liberdade

Educar os filhos “para o mundo” não significa abandoná-los à própria sorte. Eles precisarão contar com a segurança dos pais diante dos apuros da realidade e também com o limite, o modelo e a lei. “É uma tarefa difícil, mas todos passam por esse processo. Se receberem tudo pronto, ficará, provavelmente, um vazio”.

  1. Ensinar a vencer desafios

A humanidade evoluiu porque o ser humano venceu os desafios a ele impostos, e a evolução está diretamente ligada às transformações do cérebro. “Então, bons pais, boas mães e bons professores são os que estimulam os seus filhos e alunos a vencerem os desafios. Esse é um princípio evolutivo”.

  1. Habilitar para o controle emocional

Habilitar os filhos para que controlem seus impulsos emocionais é, segundo o psicólogo, ensinar empatia – como a possibilidade de se colocar no lugar do outro –; saber adiar satisfação, pois nem tudo pode ser realizado aqui e agora; tolerar frustrações, já que a falha é inerente ao viver e ao conviver humano.

  1. Gostar do que faz

Para finalizar, Carraro destaca um ensinamento de Steve Jobs (1955-2011): “Você tem que encontrar o que você gosta. Seu trabalho vai preencher uma grande parte da sua vida. A única maneira de se sentir verdadeiramente satisfeito é fazer aquilo que você acredita que poderá se transformar em um grande trabalho. E a única forma de fazer um grande trabalho é gostar do que você faz. Se você ainda não encontrou isso, continue procurando”.

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