Por que aprender a sentir melhora o desempenho na escola?

Desenvolver as competências socioemocionais é essencial para que as crianças e adolescentes se preparem para os desafios do século XXI

Todo pai, mãe ou responsável por uma criança deseja que ela vá bem na escola, tire boas notas e tenha uma carreira de sucesso no futuro, certo? Mas esse resultado é muito mais difícil de ser alcançado sem o desenvolvimento das competências socioemocionais. Com elas, o aluno aprende a lidar com suas próprias emoções, consegue se relacionar com o outro, media conflitos e soluciona problemas.

Essas habilidades têm ganhado cada vez mais atenção, tanto do mercado de trabalho como do universo educacional, e agora são parte dos componentes curriculares. A ideia é que o aluno deve se desenvolver em todas as suas dimensões: intelectual, física, emocional, social e cultural. 

Imagine um aluno ansioso ou estressado fazendo uma avaliação. Mesmo com todo o conhecimento teórico necessário para ir bem no teste, é possível que ele não tenha um bom desempenho por não conseguir compreender o que sente naquele momento. 

Recentemente, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que define as práticas pedagógicas nas escolas brasileiras, incluiu o desenvolvimento das competências socioemocionais no currículo escolar, mas isso é discutido há algum tempo. 

Nos anos 1990, o documento Paradigma do Desenvolvimento Humano, lançado pela Organização das Nações Unidas (ONU), foi pioneiro ao colocar o indivíduo no centro dos processos de desenvolvimento. Na mesma época, o Relatório Jacques Delor, desenvolvido pela Unesco, elaborou os quatro pilares que devem sustentar um sistema de ensino: 1) aprender a conhecer; 2) aprender a fazer; 3) aprender a ser; 4) aprender a conviver.

Ensinar as crianças a respeitar os demais, a se comunicar de forma adequada, a se cuidar, a se organizar, a cooperar. Tudo isso, historicamente, sempre foi responsabilidade da família. Mas as transformações sociais, as mudanças tecnológicas e a falta de tempo fizeram a escola se tornar um ambiente privilegiado para o desenvolvimento das competências socioemocionais.