Valorização do professor: como os pais podem contribuir?

Em entrevista exclusiva, o psicoterapeuta, Leo Fraiman, aconselha os pais sobre a valorização do professor

Como mãe ou pai, provavelmente, em algum momento durante a vida escolar do seu(a) filho(a), você já se questionou a respeito de uma atitude, metodologia ou proposta de trabalho e avaliação de um professor. Além de natural, preocupar-se com isso é uma tarefa das famílias. O problema é que, às vezes, esse comportamento pode indicar falta de confiança nos professores, tanto por parte de pais quanto de alunos, e acaba causando o desempoderamento desses profissionais. A valorização do professor é essencial para a construção de uma relação de respeito entre escola, alunos e família, e os pais podem contribuir muito para que isso aconteça.

“É importante percebermos, tanto na escola quanto no mundo do trabalho e em todas as nossas relações, que temos direito a discordar, mas não de desrespeitar”, explica o professor e psicoterapeuta Leo Fraiman, mestre em Psicologia Educacional e do Desenvolvimento Humano. Segundo ele, essa é uma conduta válida para todos, e é preciso que os pais ensinem o respeito aos filhos. “É papel da família ensinar ao aluno que ele deve mostrar respeito incondicional aos seus líderes, ainda que ensine a eles a dizerem,  com educação, para os professores ou mesmo equipe de apoio, quando algo não vai bem”, acrescenta.

O que fazer?

Existem várias atitudes simples de serem colocadas em prática que contribuem para a valorização do professor. A seguir, listamos algumas das principais indicações de Leo.

  • Visitar a instituição

Um ato muito saudável é realizar visitas regulares à escola. Mas é fundamental, segundo Leo, que os pais façam isso “entendendo que não há na existência humana nenhum profissional que irá acertar sempre”. Assim, é possível perguntar aos professores e demais integrantes da equipe da escola como anda a participação do aluno e se ele demonstra interesse, por exemplo, além de entender como foram construídas suas notas, pois mais importante do que o resultado é o processo.

  • Conversar com os filhos

Ao ter conhecimento de que o aluno se comportou de maneira inadequada perante o professor, os pais devem conversar com o  filho. É necessário que ele entenda que “ter só aulas legais o tempo todo”, ressalta Leo, nem sempre é possível. “Há professores mais carismáticos e outros menos”, lembra o especialista, mas todos devem ser respeitados.

  • Estimular a proatividade e a autonomia

Transforme uma dificuldade encontrada pelo seu filho em uma oportunidade para estimular nele a proatividade. Pergunte se ele conhece algum aplicativo ou site em que possa conseguir ajuda para aprofundar os conteúdos em que tem dúvida ou se tem amigos para contribuir. “Trazendo um exemplo do mercado de trabalho, se amanhã um médico não souber como tratar esta ou aquela situação de um paciente, ele vai comentar com colegas, vai precisar usar sua rede de contatos e pesquisar mais a respeito por conta própria. Estimular a proatividade, eu diria, é um ato ético”, afirma Leo.

  • Reconhecer a responsabilidade do aluno por seus estudos

Procure incentivar que o aluno também se responsabilize pelo próprio aprendizado. Quando ele não aprender, é importante que reflita se suas atitudes durante o processo não influenciaram em tal resultado. “Antes de atacar o professor, eu tenho que pensar: Eu prestei atenção? Eu estive interessado? Eu estava com o material? Eu copiei as anotações? Quantas vezes e com que intencionalidade eu tentei estudar aquela matéria? E, se eu não aprendi, o que eu posso fazer agora?”, exemplifica o especialista.

Essas são só algumas das atitudes que contribuem para a valorização do professor e para a construção e a manutenção de uma relação de respeito que acaba por beneficiar a todos os envolvidos. Como concluiu Leo, “uma boa educação acontece a partir de uma tríade: casa, escola e aluno” e, por isso, manter essa parceria é indispensável.

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